terça-feira, 14 de julho de 2026

ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

A distribuição dos seres vivos nos ecossistemas, tanto terrestres como aquáticos, está intimamente relacionada com fatores abióticos.
Nos ecossistemas aquáticos, a luz é um fator extremamente importante, já que influencia a distribuição dos seres fotossintetizantes, a base da maioria das cadeias alimentares desses ambientes. A intensidade da luz diminui com o aumento da profundidade. 
A região iluminada dos ecossistemas aquáticos é chamada zona fótica, enquanto a região com ausência completa de luz recebe o nome de zona afótica. Até cerca de 200 metros de profundidade, ainda há luz suficiente para que a fotossíntese ocorra.
Outro fator que tem grande influência na distribuição dos seres vivos nos ambientes aquáticos é a pressão hidrostática, que, de modo simplificado, pode ser descrita como a força que a água exerce em todas as direções, comprimindo os corpos nela imersos. 
À medida que aumenta a profundidade, aumenta também a pressão exercida pela coluna de água. No ambiente aquático, dependendo do modo como se locomovem, os organismos são encontrados em uma destas comunidades: plâncton, nécton e bentos. 
• Plâncton: conjunto de seres aquáticos flutuantes levados pelas correntezas. Há o fitoplâncton, formado por seres autotróficos como algas microscópicas, e o zooplâncton, constituído por seres heterotróficos, como protozoários, pequenos crustáceos e larvas de vários animais. 
• Nécton: conjunto de seres capazes de nadar e vencer as correntes, como polvos, lulas, peixes, golfinhos e baleias. 
• Bentos: conjunto de seres que vivem no fundo do ambiente aquático, fixos ou não, como ostras, mexilhões, esponjas, estrelas-do-mar e caranguejos.
O fitoplâncton marinho é responsável pela maior parte do gás oxigênio liberado para a atmosfera. Já em ambientes de água doce, rios de águas agitadas possuem pouco plâncton, pois os seres que o formam não conseguem se manter em águas movimentadas. Nesse caso, os produtores são algas presas ao fundo do rio. O fitoplâncton é mais abundante em lagos, ambientes com águas calmas.

ECOSSISTEMAS COSTEIROS 


Os ecossistemas costeiros ocorrem nas áreas litorâneas, onde as águas dos mares se encontram com o continente. Eles costumam ser classificados em quatro tipos: praias arenosas, restingas, costões rochosos e manguezais.

PRAIAS ARENOSAS 


As praias arenosas são constantemente submetidas a variações de temperatura e de umidade, como a mudança nos níveis da água durante as marés, o vaivém das ondas e a exposição direta aos ventos e aos raios solares. 
Formado principalmente por grãos de areia, esse ecossistema tem alta salinidade, é pobre em nutrientes e é de difícil fixação para as plantas. A vegetação, quando existente, é rasteira, dispersa e de pequeno porte. Animais como o caranguejo maria-farinha vivem em túneis na praia, e tartarugas marinhas põem seus ovos na areia aquecida. 

Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) em uma praia de Ubatuba (SP) que faz parte do Parque Estadual da Serra do Mar.

RESTINGAS 


A restinga ocorre na planície arenosa desde a praia e segue em direção ao continente. A vegetação varia conforme a disponibilidade de nutrientes, a luminosidade, a umidade e as condições de fixação. 
Próximo da praia arenosa, existem plantas rasteiras, como a ipomeia e a acariçoba. À medida que avança para o continente, a vegetação fica mais densa e diversa: surgem arbustos, algumas árvores, como a caixeta e a pitangueira, e epífitas, como as bromélias e as orquídeas. A fauna das restingas tem muitas aves, répteis, insetos e crustáceos. 
A destruição causada pela expansão urbana, a poluição e as queimadas são algumas das ameaças a esse ecossistema.

Área de restinga em praia de São Sebastião (SP). Foto de 2019. Essa vegetação é conhecida como mata de jundu e está ameaçada de extinção.

COSTÕES ROCHOSOS 


Os costões são formados por rochas que ficam à beira-mar. Nesses ambientes, as rochas ficam expostas à ação das ondas do mar. 
Devido ao efeito das marés, o costão rochoso apresenta três zonas: a inferior, permanentemente submersa; a intermediária, periodicamente coberta pela elevação do nível da água – a ação das correntes marítimas e das ondas é mais intensa nessa zona; e a superior, que raramente fica sob a água. A variação na ação das ondas do mar e na exposição à luz do sol influencia a distribuição de seres vivos nesse ecossistema. 
Na zona inferior, submersa, podem ser encontradas várias algas e animais, como anêmonas; peixes se alimentam, reproduzem-se e se abrigam nessa zona. Algas verdes, cracas e mexilhões em geral vivem na zona intermediária, fixos às rochas. Na zona superior, onde há borrifos de água, podem ser encontrados liquens e bromélias. 

Os costões proporcionam diferentes níveis de exposição à luz do sol e à ação das ondas do mar. Costão rochoso em Florianópolis (SC). 

MANGUEZAIS 


Os manguezais ocorrem em locais em que os rios desembocam no mar. Nesses ambientes, a água é salobra. Nas marés altas, a água salgada do mar se mistura à água doce do rio. 
Já durante as cheias nos rios, a água doce é lançada mar adentro. A água salobra dos manguezais é rica em matéria orgânica e sedimentos trazidos pelos rios. O solo é lodoso, rico em nutrientes, mas pobre em gás oxigênio.

Manguezal em Tamandaré (PE). Foto de 2020. As árvores mostradas na foto apresentam estruturas que melhoram a fixação da planta no solo.

As árvores desse ecossistema apresentam adaptações para sobreviver no solo lodoso e com pouco gás oxigênio. Algumas apresentam estruturas que partem do caule e melhoram a fixação das plantas no solo do manguezal; outras têm pneumatóforos, estruturas verticais que se projetam acima do solo e auxiliam a respiração do vegetal. 
Os manguezais são importantes para muitos peixes, pois é onde eles se reproduzem e depositam seus ovos. Além dos peixes, a fauna é constituída principalmente de crustáceos (como o caranguejo-uçá) e aves (como a garça).

Pneumatóforos projetando-se acima da superfície do solo, em manguezal em São Sebastião (SP)

Por ser um berçário de muitas espécies que não vivem ali, os danos ao manguezal acabam afetando outros ecossistemas pela redução das populações dessas espécies.

ZONA MARINHA 


A partir de certa distância da costa e da influência da água doce dos rios, começa a zona marinha, que se estende em direção ao oceano. O limite das águas costeiras no Brasil está a cerca de 370 quilômetros do litoral, que tem aproximadamente 7 500 quilômetros de extensão. Veja a imagem de satélite. As águas oceânicas (mar aberto) que abrigam seres desse ambiente cuja vida não depende do fundo do mar formam a zona pelágica. Já a zona bentônica compreende o fundo do mar propriamente dito.

Imagem de satélite que mostra a extensão das águas territoriais costeiras do Brasil (linha azul-claro). A linha é imaginária: ela foi inserida para auxiliar a leitura da imagem.

Próximo da superfície da água, há o plâncton: seres microscópicos que não conseguem vencer as correntezas. Os organismos que nadam ativamente e conseguem direcionar sua loco moção independentemente das correntes formam o nécton. 
Diversas algas e milhares de espécies animais, como crustáceos, moluscos, águas-vivas e anêmonas, estrelas-do-mar, peixes e alguns mamíferos, constituem a grande biodiversidade dos ambientes marinhos.

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS MARINHOS 


As maiores ameaças aos ecossistemas marinhos brasileiros são a pesca excessiva, o lançamento de lixo e esgoto nas águas marinhas e o turismo desordenado. O acúmulo de lixo plástico provoca contaminação dos organismos. 
Objetos feitos de plástico, como sacolas, podem ser confundidos com presas e engolidos por animais, provocando obstrução das vias respiratórias e digestórias.

ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE 


Os corpos de água doce fazem parte dos biomas brasileiros. Contudo, os ecossistemas de água doce apresentam características muito variadas. 
Por exemplo: em lagos, lagoas e poças, a água geralmente é parada ou tem fluxo muito lento; nos córregos, riachos e rios, as águas seguem um fluxo moderado ou in tenso; já os pântanos de água doce correspondem a áreas inundadas ou encharcadas de água durante a maior parte do tempo.

Vista aérea de trecho do rio São Francisco em Petrolina (PE). Foto de 2021. As nascentes do rio São Francisco localizam-se na serra da Canastra, em Minas Gerais, e a foz fica entre Sergipe e Alagoas. Além desses três estados, o rio São Francisco banha os estados da Bahia e de Pernambuco.

Os ecossistemas aquáticos variam principalmente quanto à luminosidade e à quantidade de gás oxigênio, de matéria orgânica e de sedimentos. 
Nos rios, por exemplo, cujo fluxo de água vai das áreas mais altas para as mais baixas, a água próxima à nascente costuma ser pobre em matéria orgânica e rica em gás oxigênio. À medida que segue seu curso em direção à foz, o rio carrega mais sedimentos e matéria orgânica e tende a reter menos gás oxigênio. 
A presença de matéria orgânica torna o solo de suas margens fértil, ou seja, um solo que permite o bom desenvolvimento de plantas. 

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE


Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores.
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também o impacto sobre os ecossistemas de água doce.
A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de sua profundidade.
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água.

Os lagos, em especial os mais profundos, apresentam três zonas distintas.

A zona litorânea, próximo da margem, é bastante iluminada e apresenta muitas espécies de plantas aquáticas e maior diversidade de vida.
A zona limnética, que é central e próximo da superfície, tem muita luz, e as algas planctônicas realizam a fotossíntese.
A zona profunda recebe menos luz e tem temperatura mais baixa que as demais zonas.

Esquema de um lago. Nesse ambiente, há três zonas distintas: a zona litorânea, a zona limnética e a zona profunda. (Representação sem proporção de tamanho e distância; cores-fantasia.)

AMEAÇAS AOS ECOSSISTEMAS DE ÁGUA DOCE 


Ao longo do tempo, as populações humanas procuraram se fixar perto de rios, devido à facilidade de transporte, à disponibilidade de água, à abundância de alimentos, entre outros fatores. 
Contudo, com o aumento dessas populações, cresceu também o impacto sobre os ecossistemas de água doce. A destruição das matas próximas às margens dos rios deixa desprotegido o solo dessas áreas, que pode ser carregado pela ação das águas; esses sedimentos podem acabar no fundo dos rios, causando várias alterações, como a diminuição de sua profundidade. 
O lançamento de esgoto doméstico sem tratamento em rios polui as águas e põe em risco a sobrevivência dos seres que habitam esses ambientes. Os agrotóxicos usados em plantações podem ser levados pelas chuvas e contaminar rios, lagos e outros corpos de água. 
A construção de represas em rios, para produção de eletricidade em usinas hidrelétricas, por exemplo, também causa enorme impacto sobre a vida selvagem e sobre as comunidades que dependem do rio, seja pela formação de grandes áreas alagadas (rio acima), seja pela redução do volume de água (rio abaixo). 
Essas e outras ameaças comprometem a disponibilidade de água doce no mundo. Em 2015, por exemplo, o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração em Mariana (MG) poluiu o rio Doce com lama e rejeitos de mineração. Assim como em outros ecossistemas, o uso responsável das áreas de água doce exige planejamento, fiscalização, regulamentação de uso das águas e a criação de áreas de preservação.

Praia da Regência em Linhares (ES). A cor marrom da água deve-se à lama levada pelo rio Doce. Essa lama teve origem no rompimento de uma barragem em Mariana (MG).

ECOLOGIA: O ESTUDO DAS INTERAÇÕES 


A ecologia é a ciência que busca entender como os organismos interagem entre si e com os elementos do ambiente em que se encontram, como solo, água e temperatura. Essa área de estudo ajuda a compreender, por exemplo, o que leva os seres vivos a habitar determinado local ou por que algumas espécies estão ameaçadas de extinção. 
Cada espécie de ser vivo necessita de certas condições e de recursos específicos para viver. Isso inclui os alimentos que consomem, as variações de temperatura que toleram, as relações que estabelecem com os demais seres vivos, como se reproduzem, etc. Esse conjunto de interações e de atividades de uma espécie, relacionado ao seu modo de vida no ecossistema, é chamado nicho ecológico. 
Os buritis, por exemplo, são palmeiras com baixa tolerância a solos secos, portanto: desenvolvem-se melhor em solos úmidos; servem de abrigo para várias aves do Cerrado, como o maracanã; seus frutos servem de alimento para cutias, capivaras e araras, que ajudam a dispersar suas sementes; florescem o ano todo, principalmente de abril a agosto.

O hábitat dos buritis (Mauritia flexuosa) são áreas do Cerrado com solos úmidos, próximos a córregos ou a outros corpos de água. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás (GO).

Um dos objetivos da ecologia é estudar as características próprias de uma população, como o número de indivíduos, a distribuição espacial e a taxa de crescimento, e também como esses aspectos variam com o tempo.

TAMANHO DA POPULAÇÃO 


Toda população é influenciada pelas características do ambiente, com seus fatores bióticos e abióticos, que podem sofrer alterações com o passar do tempo. Essas mudanças influenciam as taxas de nascimento e de morte de uma população e o deslocamento de indivíduos de uma região para outra. Assim, o tamanho de uma população pode variar. A taxa de natalidade indica a quantidade de nascimentos em uma população em certo período de tempo. Em geral, a taxa de natalidade está relacionada a características reprodutivas da espécie. Algumas espécies, como os elefantes, geram poucos descendentes, mas estes recebem cuidados dos pais, o que aumenta as chances de sobrevivência. 
Outras espécies, como a planta dente-de-leão, geram centenas de descendentes (nesse caso, centenas de sementes). Muitas sementes morrem antes de germinar, mas, como são liberadas em grande número, há chance de que alguns indivíduos consigam sobreviver até a idade de se reproduzir.
A taxa de mortalidade é a quantidade de mortes em uma população em certo período de tempo. A disponibilidade de recursos – como abrigo, alimento e água – e as interações entre espécies, como a existência de predadores, influenciam a taxa de mortalidade e podem afetar o crescimento de uma população. 
Quando a sobrevivência dos seres vivos é ameaçada, algumas espécies são capazes de se deslocar para procurar ambientes com melhores condições de vida. Por isso, o tamanho das populações também é influenciado pelas migrações dos organismos.

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) tem apenas um filhote por vez. A fêmea cuida do filhote e o carrega nas costas durante os primeiros seis meses de vida.

Uma inflorescência de dente-de-leão (Taraxacum sp.) pode liberar de 40 a 100 sementes, mas a taxa de mortalidade é alta.

Panapaná é o nome dado a um conjunto de borboletas migratórias, como as da foto. Milhares ou até milhões de borboletas voam de uma região para outra na floresta Amazônica, alterando o número de indivíduos das populações dessas regiões. O motivo exato desse deslocamento ainda é desconhecido, mas as borboletas provavelmente se deslocam para locais com maior oferta de alimento para sua prole.








BIOMAS: ZONAS DE TRANSIÇÃO

 

Algumas regiões com características específicas, existentes entre os principais biomas brasileiros, são identificadas como zonas de transição. A percepção de uma zona de transição ocorre, principalmente, pelas mudanças na vegetação, que, por sua vez, influencia comunidades animais que habitam essas áreas. 
Uma delas é a transição entre a Amazônia e a Caatinga, onde ficam as florestas de palmeiras do Maranhão. Na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia há as florestas secas de Mato Grosso. Há também a zona entre o Cerrado e a Caatinga, com florestas de árvores com folhas secas.
Entre a Amazônia e a Caatinga está localizada a Mata dos Cocais. Essa zona é formada por extensas florestas de palmeiras, como o babaçu, a carnaúba e o buriti. Seguindo do leste para o oeste, o clima se torna cada vez mais úmido e proporciona uma vegetação cada vez mais arbórea e exuberante. O babaçu é uma palmeira nativa das regiões Norte e Nordeste do Brasil, explorada de maneira sustentável pela população local.

Área de Mata dos Cocais. Chapada do Araripe, Barbalha (CE), 2020.


Entre a Amazônia e o Cerrado está localizada a Mata Seca, for mação florestal com características comuns do Cerrado que geralmente ocorre em locais afastados dos cursos de água ou da umidade permanente.
Já na transição entre o Cerrado e a Caatinga, observa--se uma vegetação mais rica que a da Caatinga, com florestas de árvores de folhas secas. O clima nessa região é mais seco que o do Cerrado, com solo mais ressecado e períodos prolongados sem chuva. A maior parte dessa área está no interior de estados nordestinos.

Manguezais 

Os manguezais são típicos de estuários (locais onde rios se encontram com o mar), enseadas e lagunas de água salgada. Eles se estendem do litoral do Amapá até Santa Catarina.
O solo do manguezal é lodoso e fica constante mente inundado com alternâncias definidas pela maré. É rico em matéria orgânica, o que permite o desenvolvi mento de uma fauna e de uma flora bastante diversas. A flora é composta de quatro espécies arbóreas principais conhecidas como mangue-vermelho, mangue-preto, mangue-branco e mangue-de-botão, variação que ocorre à medida que se afastam da água. Também é possível encontrar samambaias e orquídeas nesse ambiente.
A maioria das plantas do manguezal tem adaptações que permitem a sobrevivência em solo inundado e pobre em gás oxigênio, como raízes respiratórias, chamadas pneumatóforos, que permitem a captação do gás oxigênio do ar, e caules aéreos, que permitem a sustentação da planta em solo lodoso.

Mangue-vermelho (Rhizophoram mangle), espécie vegetal típica de área de manguezal com caules aéreos, no Parque Estadual Ilha do Cardoso, Cananéia (SP), 2019.

Raízes de mangue-preto (Avicennia,schaueriana), mostrando as estruturas respiratórias chamadas pneumatóforos. São Sebastião (SP), 2022.


O manguezal é berço de inúmeras espécies de ostras, caranguejos, sardinhas, garoupas, tubarões e outros animais. Nesse ambiente, as espécies permanecem protegidas até a fase adulta. É no manguezal que várias espécies de fauna aquática e terrestre, de valor ecológico e econômico, desenvolvem-se.



OS BIOMAS TERRESTRES

 

As regiões do planeta apresentam diferenças quanto à média de chuvas no ano, à faixa de variação de temperatura e até mesmo à intensidade da luz solar que recebem, ou seja, estão sujeitas a diferenças de clima. 
Há ambientes mais secos e outros mais úmidos, alguns muito quentes e outros bem frios. Essas características climáticas são alguns dos fatores que definem quais seres vivos conseguem sobreviver ou não em de terminado ambiente. 
Chamamos de bioma o conjunto de ecossistemas que apresenta uma forma de vegetação dominante, com plantas, animais e outros seres vivos adaptados à condições climáticas semelhantes.
Os ecossistemas terrestres, assim como os aquáticos, apresentam diferentes características e sofrem influência de vários fatores abióticos, como temperatura, luminosidade, precipitação e tipo de solo.
Alguns ecossistemas terrestres apresentam características semelhantes, como o tipo de vegetação e o clima predominante, em uma grande dimensão regional. O conjunto desses ecossistemas com características semelhantes forma um bioma. De maneira geral, os biomas apresentam fauna (animais) e flora (vegetais) distintas,

TUNDRA 


A tundra é um bioma que se localiza próximo à calota polar ártica, onde as temperaturas são baixas e a chuva é escassa. Dessa maneira, o solo permanece coberto por neve e congelado durante quase todo o ano. 
A palavra tundra significa terra sem árvores. Esse bioma se estende pelo norte da Rússia, pela Escandinávia e pelo norte do Canadá, acompanhando o círculo polar Ártico. Esse bioma é frio e seco e apresenta temperaturas médias entre 234 °C, no inverno, e 12 °C, no verão. Por isso, seu subsolo, que está sempre congelado, é chamado permafrost (do inglês permanent = permanente e frost = congelado). O verão é curto demais para permitir o desenvolvimento de árvores de grande porte. 
No verão, a camada mais superficial descongela, o que contribui para o solo permanecer bastante úmido, o que favorece o crescimento de liquens e de plantas como gramíneas e musgos. Além dessas plantas, a vegetação da tundra também é formada por pequenos ar bustos em regiões mais secas. O crescimento da maioria dessas plantas ocorre durante o curto tempo de verão.

No verão, a superfície do solo descongela e a umidade possibilita o crescimento da vegetação rasteira e arbustiva da tundra. Rússia. Foto de 2019.


Embora chova pouco (entre 200 mm e 600 mm por ano), a superfície do solo fica encharcada, pois a evaporação é muito lenta. A vegetação, composta principalmente de arbustos, musgos e liquens, desenvolve-se apenas durante o curto verão. 
A diversidade de animais é baixa, com predomínio de insetos, aves migratórias, roedores (como a lebre), alguns herbívoros (como a rena e o boi-almiscarado) e carnívoros (como o lobo e a raposa-do-ártico). Durante o inverno, tanto as aves quanto os mamíferos costumam migrar para áreas mais ao sul, em busca de alimento.
A fauna é composta de mamíferos, como o urso-polar e o almiscareiro, que possuem uma espessa camada de pelos e de gordura para resistir às baixas temperaturas desse bioma. Na tundra também há aves, como a coruja-da-neve, aves aquáticas e insetos.

TAIGA 


A taiga, também conhecida como floresta de coníferas, é um bioma que se caracteriza pela baixa temperatura, com inverno rigoroso. A vegetação é constituída principalmente de pinheiros e abetos.
Essas plantas apresentam folhas estreitas que evitam, por exemplo, o acúmulo de neve sobre elas. Essas características auxiliam as plantas a resistir às baixas temperaturas, já que no inverno a água disponível no solo encontra-se congelada. Dessa maneira, há pouca diversidade da flora nesse tipo de floresta, pois apenas algumas plantas possuem adaptações para resistir às condições do inverno intenso.
Cobrindo mais de um quarto da superfície das terras emersas do planeta, a taiga é o maior de todos os biomas. Ela está distribuída em regiões localizadas ao sul da tundra: no Canadá, no norte dos Estados Unidos e do Alasca, nos países escandinavos e no extremo norte da Europa e da Rússia. 

Ambiente de taiga no outono. As árvores da foto, chamadas de lariços, são algumas das mais comuns na taiga. Parque Nacional Tunkinsky, Rússia. Foto de 2018.

 A temperatura durante o ano, nesse bioma, pode variar entre 240 °C, no inverno, e 20 °C, no verão, que dura cerca de quatro meses. A taiga é mais úmida que a tundra: chuvas, neblina e neve variam de 200 mm a 800 mm de água por ano. 
Esse bioma também é conhecido como floresta boreal ou floresta de coníferas, pois a vegetação predominante é de coníferas, como os pinheiros, o abeto e o lariço. Essas árvores têm folhas estreitas em forma de agulha, ou folhas aciculadas (do latim acicula = agulha), que não caem durante o inverno. Por isso, são chamadas de evergreen, que significa sempre verde.
Entre outros animais, a fauna é composta de mamíferos, como ursos, cervos, alces, lebres-da-pata-branca, esquilos, lobos, raposas, martas e visons, além de aves, como o pintassilgo e os pardais.
Mamíferos herbívoros, como o alce e o caribu, bem como carnívoros, como os lobos, as raposas e o urso-pardo, são típicos da taiga. Há também várias espécies de insetos, aves e peixes, como o salmão e a truta.

FLORESTAS TEMPERADAS 


Na floresta Temperada, as estações do ano são bem definidas, com invernos de temperaturas muito baixas. Nesse bioma, apesar de serem me nos abundantes do que nas florestas tropicais, as chuvas são relativamente frequentes.
A vegetação é formada por plantas herbáceas, arbustos e por árvores que perdem suas folhas no fim do outono, as quais voltam a nascer na primavera.
Tal característica é essencial para a sobrevivência das plantas, porque, em épocas de baixa temperatura, a maior parte da água disponível no ambiente encontra-se congelada no solo. Assim, ao perder as folhas, essas plantas evitam a perda de água por transpiração e conservam água em estado líquido em seu interior.
As florestas temperadas cobrem grande parte do território da Europa, dos Estados Unidos, da China e do Japão. O nome desse bioma se deve à grande variação de temperatura e de chuva que ele apresenta durante o ano, por estar localizado entre os trópicos e os polos. 
Nesse bioma, as quatro estações são bem definidas, com outono ameno, inverno frio (com temperatura de até 230 °C), primavera amena e verão úmido e quente (com temperatura chegando a 30 °C). As chuvas variam entre 700 mm e 1 500 mm por ano. A reprodução e o crescimento da maioria das plantas e dos animais ocorrem durante a primavera e o verão, devido às condições mais favoráveis.

Vista de uma floresta temperada decídua em Ontário, Canadá, no início do outono. Note as folhas em tons de amarelo e laranja, sem a coloração verde da clorofila; elas estão prestes a cair. Foto de 2018.

Nas florestas temperadas, há grande variedade de árvores com folhas largas, que perdem a clorofila e caem durante o ou tono – adaptação para enfrentar os invernos rigorosos. Por isso, essas florestas também são denominadas temperadas decíduas (do latim deciduus = que cai). 
Nas florestas temperadas, há maior variedade de animais, se comparadas à taiga e à tundra. Há espécies de pássaros e aves de rapina, como águias e gaviões. Entre os mamíferos herbívoros, há veados, esquilos e coelhos; entre os carnívoros, raposas, doninhas e lobos.
A fauna da floresta Temperada é composta de diversos mamíferos, como os veados, ursos, esquilos, linces e raposas. Há também muitos insetos e aves pequenas, como algumas espécies de pica-pau.

FLORESTAS TROPICAIS 


A floresta Tropical é um bioma caracterizado por alta temperatura e chuvas o ano todo. Em geral, as chuvas são diárias e abundantes. Em razão dessas características, esse bioma apresenta fauna e flora bastante diversificadas.
Localizadas quase exclusivamente na região entre os trópicos, as florestas tropicais úmidas estão presentes nas Américas Central e do Sul, na África Central, na China, na Índia e nos países do Sudeste Asiático. A floresta Amazônica é um exemplo típico desse bioma. Nas florestas tropicais, as temperaturas são eleva das o ano todo (entre 20 °C e 40 °C) e praticamente não há estação seca. 
As chuvas constantes variam entre 1 000 mm e 2 500 mm por ano. A combinação de altas temperaturas, água e luminosidade abundantes faz desse bioma o mais rico do mundo em biodiversidade. Embora corresponda atualmente a apenas cerca de 7% da superfície da Terra, esse bioma concentra cerca de 50% das espécies de seres vivos conhecidas.

Essa biodiversidade está relacionada à elevada produção de alimento resultante da atividade vegetal. As árvores são sempre verdes e existe enorme variedade de espécies de insetos. Aves, como a arara e o papagaio, e mamíferos, como os macacos, são animais típicos de florestas tropicais.
A flora da floresta Tropical é constituída de plantas de diferentes tamanhos. Há árvores de grande porte e com folhas largas, que favorecem a transpiração dessa planta. Assim, a parte superior da floresta é preenchida pelas árvores, o que dificulta a passagem de grande parte da luz solar até o solo. Em razão dessa baixa incidência de luz solar, as plantas que vivem próximos ao solo apresentam folhas largas para absorver o máximo de luz solar que chega até elas. 
Outros tipos de plantas encontrados nesse bioma são as chamadas trepadeiras, que crescem sobre as árvores para acessar a luz solar. Também é possível encontrar arbustos, plantas herbáceas e epífitas.
A fauna distribui-se por todos os estratos da floresta. Por exemplo, várias espécies de aves, insetos e morcegos vivem na parte superior das árvores, e diversos mamíferos podem ser encontrados tanto sobre árvores mais baixas quanto no solo, onde também há serpentes, sapos e lagartos. 

CAMPOS E SAVANAS 


Os campos e as savanas estão distribuídos por todos os continentes, com exceção da Antártida. Em geral, apresentam apenas duas estações: uma seca, com chuvas em torno de 100 mm, e outra chuvosa, com chuvas que podem atingir mais de 1 500 mm. As temperaturas são elevadas, oscilando entre 20 °C e 40 °C. 
Muitas espécies de animais e de plantas que habitam esse bioma estão adaptadas aos incêndios naturais e dependem deles para regular seu ciclo reprodutivo. 
A savana é um bioma que se caracteriza por apresentar altas temperaturas, com chuva durante alguns meses, mas longos períodos de seca.
Essas características influenciam a vegetação da savana, que tem o seu crescimento limitado em razão dos períodos de seca. Dessa maneira, a vegetação é constituída, principalmente, por gramíneas, arbustos e árvores de pequeno porte.

Savana em parque nacional no Quênia. Observe o relevo plano, as árvores esparsas e a vasta área de pastos naturais, fonte de alimento para os grandes herbívoros. 

Como a estação seca pode durar vários meses nos campos e nas savanas, eles apresentam poucas árvores, bem espaçadas, e muita vegetação rasteira e arbustiva. As raízes tendem a ser pro fundas, e as folhas, recobertas com ceras impermeáveis, que reduzem a perda de água por transpiração. A savana africana e o Cerrado brasileiro são exemplos desse bioma. 
A fauna dos campos e das savanas apresenta herbívoros de médio e grande porte, como veados, búfalos, zebras, girafas e elefantes. Também são encontrados grandes carnívoros, como leopardos, leões, crocodilos e hienas, além de grande diversidade de insetos e aves pernaltas. 
O relevo desse bioma, em geral, é plano, favorecendo a ocupação humana para a criação de gado e o cultivo de plantas, o que é uma ameaça aos ambientes naturais.

DESERTOS


A palavra deserto tem origem no latim desertum, que significa lugar abandonado. Os grandes desertos estão localizados nos trópicos de Câncer e Capricórnio e são regiões onde raramente chove. A temperatura pode variar muito ao longo de um dia, entre 0 °C à noite e 45 °C durante o dia. As chuvas atingem, em média, menos de 200 mm ao ano. Desertos como o de Atacama, no Chile, podem passar décadas sem chuva. 
Embora existam desertos semiáridos com alguma vegetação, em geral, as plantas são esparsas, de pequeno porte e apresentam adaptações para evitar a perda de água por transpiração. As plantas que apresentam essas adaptações são chamadas de xerófitas (do grego xeros = seco e phyton = planta). 
No deserto, em geral, o verão se caracteriza por temperaturas elevadas e o inverno, por temperaturas amenas. A ocorrência de chuvas escassas e irregulares ao longo do ano e as altas temperaturas resultam no desenvolvimento de plantas adaptadas a essas condições, como cactos e arbustos.
Algumas dessas adaptações, como as dos cactos, caracterizam-se pela ausência de folhas para evitar a perda de água pela transpiração e por armazenar água em seus tecidos.
Assim como as plantas, os animais que vivem no deserto, em geral, também apresentam características que os auxiliam a viver nesse bioma. Por exemplo, alguns deles têm corpo menor e pele espessa para reduzir a perda de água pela transpiração. Nesse bioma, encontramos animais como ratos-cangurus, jerboas e marmotas, além de lagartos, serpentes e insetos.

Pradaria


Na pradaria, em geral, as temperaturas são baixas durante o inverno e altas durante o verão. As chuvas são modera das, com seca durante alguns períodos do ano. 
A vegetação desse bioma é constituída principalmente por gramíneas e arbustos capazes de suportar períodos de seca.
A fauna é composta de diversos insetos, lobos, raposas, coiotes e roedores.


Mamíferos

 

A maioria dos mamíferos vive em ambientes terrestres. Entretanto, alguns possuem adaptações relacionadas à vida em ambientes aquáticos, como os golfinhos e as baleias. Independentemente do ambiente em que vivem, esses animais respiram por pulmões.
Os mamíferos estão amplamente distribuídos pelo planeta, habitando os polos, os topos das montanhas, as florestas, os desertos e os oceanos. Baleias, morcegos, cães, ratos e seres humanos são exemplos de mamíferos. Algumas das principais características desses animais são citadas a seguir.

• São animais endotérmicos.
• Apresentam glândulas mamárias. Nas fêmeas, essas glândulas são desenvolvidas produzindo o leite com o qual alimentam seus filhotes. 
• Sua pele é recoberta por pelos, que auxiliam na manutenção da temperatura do corpo. A presença de pelos é uma característica exclusiva dos mamíferos. De maneira semelhante às penas das aves, os pelos atuam na manutenção da temperatura do corpo, evitando a perda acentuada de calor para o ambiente.
• Apresentam acúmulo de gordura sob a pele e entre os órgãos internos, que funciona como reserva energética e auxilia na manutenção da temperatura corporal. 
• Algumas espécies apresentam glândulas sudoríparas, responsáveis pela produção de suor, que participa dos processos de regulação da temperatura corporal. 
• Possuem glândulas sebáceas, que produzem uma substância oleosa utilizada para lubrificar e impermeabilizar a pele e os pelos. 
• Os movimentos respiratórios são executados por músculos torácicos e pelo diafragma, um músculo que só está presente nos mamíferos. 
• Apresentam dentes de diversos formatos e tamanhos. A arcada dentária é adaptada à dieta e ao modo de alimentação de cada espécie.
• A maioria dos mamíferos é vivípara e apresenta fecundação interna. Os filhotes geralmente se desenvolvem dentro do corpo da mãe ou no marsúpio, uma estrutura externa do corpo da mãe. Após o nascimento, continuam dependentes da mãe durante o período de amamentação.

Alguns mamíferos apresentam unhas, garras ou cascos, estruturas importantes para a locomoção, a alimentação e a defesa.
Os chifres e os cornos são outros exemplos de estruturas que podemos encontrar nos mamíferos. Os chifres são formados por ossos e podem ser utilizados para defesa, como nos alces. Os cornos possuem queratina em sua constituição. Os rinocerontes e os bovinos são exemplos de mamíferos que têm cornos.

 Vaca (Bos taurus).





MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E DE PREVENÇÃO

Como vimos, a reprodução humana envolve, além da capacidade de gerar descendentes, diversos outros fatores, como a sexualidade, a afetividad...